O olhar visagista para imagem digital: como se apresentar melhor em videoconferências

O home office tem sido uma modalidade recorrente de trabalho devido à pandemia. Encontrar os colegas de trabalho, mesmo à distância, passou a ser uma atividade corriqueira. Agora, as preocupações estéticas, que são normalmente da cabeça aos pés, passaram a focar da cabeça até a cintura, que é o que a câmera capta. As brincadeiras de pessoas fazendo reuniões com a calça do pijama, samba-canção ou até shorts têm sido motivo de risadas. Uma comodidade permitida por estar em casa, de acordo com a professora especialista em Visagismo, Thaís Trindade.

Sem o ambiente de trabalho, e estando em um ambiente caseiro, é necessário ter alguns cuidados para manter a imagem profissional e adequada, sem dar a impressão de se estar está em casa à vontade, e sim em um ambiente que está sendo utilizado para o trabalho.

Achar o local certo em que a luz esteja de frente para a pessoa, de modo que ilumine todo o rosto e fique com uma visão clara e com mais qualidade; estar em ambientes pequenos melhorara a qualidade do áudio, já em ambientes maiores, como uma sala, o áudio pode ser dissipado pelo ambiente, esses são alguns pontos que o visagista Robson Trindade destaca para manter uma boa imagem no ambiente de trabalho.

Trindade explica que em uma imagem em que a pessoa está contra a luz, normalmente se projeta uma sombra sobre o rosto, o que chama a atenção para o ambiente, já invertendo a posição da câmera é possível notar uma grande melhora na qualidade da imagem, com a luz iluminando bem o rosto da pessoa e centralizado.

Outra alternativa usada para focar a atenção na pessoa nas reuniões, encontros, palestras e conferências virtuais é deixar um fundo mais neutro. Entre as opções estão fundos virtuais, com alguns templates pré-disponíveis para escolha e a possibilidade de desfocar o fundo. O chamado Chroma Key, que é a famosa tela verde da edição, transforma o cenário em qualquer lugar que você quiser, sem sair de casa. Esse efeito tem divertido as pessoas que estão em isolamento, por poderem se ver em outro local, que não seja a sua própria casa. Além das pessoas que não têm um cenário adequado em casa, possam mudá-lo para deixá-lo menos distrativo.

“O Visagismo é uma análise investigativa, que estuda a face, o corpo, o comportamento e os gestuais de um indivíduo. Está baseado no estudo de cinco aspectos humanos: biologia, psicologia, sociologia, antropometria e morfologia”, explica Trindade, profissional do segmento de beleza há 45 anos.

É um estudo aprofundado realizado em fases, com a análise comportamental, que revela a personalidade refletida no visual, a cor do cabelo, as linhas do rosto e assim por diante. Independentemente da área de atuação, a preocupação com a apresentação da imagem se faz presente.

Luciana Zanon, 55 anos, psicóloga, mediadora de conflitos e professora, cliente do Robson relata a sua experiência com a consultoria visagista: “O interessante é que o Visagismo não é só uma questão de face, é uma questão de corpo e postura. É como estar na vida a partir do olhar que eu tenho de mim mesma. Reconhecer a força do poder pessoal, para colocar a minha imagem em movimento”.

Segundo a pesquisa do Sebrae em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos – ABIHPEC sobre as tendências de 2019-2020, os conceitos como sustentabilidade, personalização, valor social, tecnologia e transparência passam a ser decisivos na hora da escolha de um produto. Pela alta concorrência de produtos de cosmética e um mercado mais democrático, onde os e-commerces ganharam espaço, e as vendas pela internet ganharam força. Tendo esse cenário em mente, o consumidor ficou cada vez mais crítico.

De acordo com uma pesquisa da consultoria brasileira REDS, 80% do público feminino, acima de 55 anos, usam produtos para cuidados pessoais regularmente e 43% relatam que o cabelo é a parte do corpo que mais as preocupa. Além dos fios brancos, queda de cabelo, frizz, ressecamento e danos causados por poluição e radiação solar, são citados como um efeito cumulativo com a idade.

Uma das tendências tem sido uma parcela das mulheres que passaram a assumir os cabelos brancos na Europa e nos Estados Unidos principalmente. Em meio a um contexto de aceitação e diversidade.

A imagem do “eu”, passa a ser mais contemplada com as reuniões virtuais, por você poder ficar se olhando enquanto está em reunião e assim ter mais controle da sua imagem, diferente do presencial, que você tem um contato menor com a própria imagem, geralmente usa o espelho na hora de se arrumar, mas durante uma conversa não há essa contemplação.

Mesmo com a pandemia, usando a máscara em que só aparecem os olhos, houve um aumento de 200% na venda de batons, segundo os dados levantados entre 1º de março a 14 de junho de 2020, pela Corebiz, devido a essas reuniões virtuais, essa atenção aos detalhes tem sido mais requisitada.

A observação é capaz de detalhar a relação estabelecida entre os indivíduos e dos mesmos com o mundo. Observar pode explicar muito sobre quem realmente somos e, também, como é o outro, como é citado no artigo “A técnica da observação nas ciências humanas”, de Marcos Antonio da Silva.

Porém esse olhar aguçado e com muita técnica e estudo pertence aos visagistas que tem como diferencial, que pode ser considerado com uma visão científica, que contém uma meticulosa revisão teórica e análise de conteúdo. Existem diversos tipos de observação:

A assistemática é uma observação classificada por Gil (1999) como simples, em que o pesquisador precisa ser um desconhecido frente ao indivíduo observado, sem um planejamento extremamente específico e elaborado, ou seja, uma observação sem um método de avaliação, uma observação comum. O simples ato de observar, ato esse que pode ser feito por qualquer pessoa, visto que não utiliza um critério avaliativo para a observação.

Já a observação sistemática é planejada e controlada, contudo, ainda não apresenta demasiado rigor. Esse controle maior diminui a chance da opinião do investigador se tornar muito influente sobre o projeto. Gil (1999) assinala que, para usar esse método, as características da pesquisa devem ser pré-definidas, o estudo exploratório deve ser profundo e a organização rigorosa. Ou seja, o pesquisador deve manter uma distância do objeto de pesquisa para não influenciar a pesquisa com as suas crenças, manter-se neutro na observação. Essa é uma técnica de observação Não-Participante é aquela em que o pesquisador permanece de fora da realidade estudada, ou seja, não há nenhum envolvimento do mesmo com as situações apresentadas, ele é apenas um espectador.

Há ainda a técnica Participante, que propõe completamente o contrário, apresenta um pesquisador mergulhado na realidade da comunidade investigada, atuando como um de seus membros (MARCONI; LAKATOS, 1999). O investigador é a peça-chave desse método, pois é através dele que, de acordo com Burgess (1997), os conhecimentos adquiridos poderão ser validados cientificamente. O investigador precisa estabelecer fronteiras quando utiliza esse método de observação, pois ele deve ter consciência de que sempre será um estranho dentro daquela comunidade, condicionado ao acolhimento por parte de quem lá vive. O pesquisador vivendo a realidade do observado, pode chegar mais perto de entender como ele age, entender seus valores, sua comunidade e assim a avaliação vai levar em conta o meio que o observado está inserido, e o meio influencia a formação do indivíduo.

O estudo realizado pelo Visagismo, é um estudo sistemático, no qual se baseia um método de observação a ser seguido. É importante lembrar que o observador deve ter em mente que o seu olhar e a sua opinião pessoal podem interferir na pesquisa e a única maneira de lidar com isso é a reflexão, não apenas acerca do que está sendo observado, mas também de si mesmo enquanto observador.

O Visagismo e os procedimentos orofaciais são algumas das técnicas usadas para harmonização facial, para minimizar as assimetrias da hemiface direita para a hemiface esquerda. Dependendo da análise do visagista em conjunto com os desejos do paciente, pode-se colocar, tirar, preencher, minimizar, avolumar, levantar, aplicar, ou seja, é escolhido o melhor método para harmonização facial em questão. A autoestima e a valorização do eu são os centros desse processo.

Outra alternativa usada para focar a atenção na pessoa nas videoconferências é deixar um fundo mais neutro, são usados fundos virtuais, com alguns templates pré-disponíveis para escolha, dá também para desfocar o fundo. O chamado Chroma Key, que é a famosa tela verde da edição, transforma o cenário para qualquer lugar que você quiser, sem sair de casa. Esse efeito tem divertido as pessoas que estão em isolamento, por poderem se ver em outro local, que não seja a sua própria casa. Além das pessoas que não tem um cenário adequado em casa, possam mudá-lo para deixá-lo menos distrativo.

A autoestima é influenciada por uma série de fatores. É o julgamento que mais importa, o seu. O que você sente sobre si mesmo. Esse fator é extremamente importante para o bem estar da pessoa. Os cuidados estéticos têm se mostrado eficazes para o bem estar e melhora na qualidade de vida das pessoas. Se sentir bem, tem um reflexo direto na saúde. É uma forma de expressar o seu interior, a maneira que você é notado e mostrar a sua imagem pessoal. Como a Luciana Zanon, 55 anos, psicóloga, mediadora de conflitos e professora, cliente do Robson relata como a consultoria visagista melhorou a sua autoestima:

“A minha autoestima saiu da sepultura e subiu aos céus. Ela ressuscitou”, diz em tom de brincadeira ao relatar esse momento marcante de sua redescoberta. Luciana conta que o procedimento foi um resgate da alma dela, devido ao difícil processo que ela estava enfrentando, o seu divórcio.

Por estar passando por esse momento frágil, Luciana Zanon, não conseguia se ver nem mostrar a sua imagem. “O Visagismo me ajudou muito a reforçar os pontos que valeriam a pena serem reforçados, trabalhar melhor aqueles que eu tinha dificuldade de me conectar” diz Luciana Zanon, cliente de Robson Trindade.

Por Gabriela Carvalho

Referências:

Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos – ABIHPEC e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae. Caderno de Tendências 2019-2020. Disponível em:  https://m.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/CADERNO%20DE%20TENDENCIAS%202019-2020%20Sebrae%20Abihpec%20vs%20final.pdf

Mesmo com uso de máscaras, venda de batons cresce 200% durante pandemia em SP. E-commerce Brasil, 2020. Disponível em: https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/venda-batons-dispara-mascaras-coronavirus/

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